Edição 2 (Dezembro, 2025):
Engenheiro silvicultor Ernesto da Silva Reis Goes e sua família de silvicultores (Portugal)
Em três partes, cada qual com um endereço de web e endereçamentos para integração e acessos às demais nessa primeira página

Fonte da Imagem: Revista Folha Informativa Info@Tecnicelpa nº 54, p. 21 (2018)
Prefácio:
O engenheiro silvicultor Ernesto da Silva Reis Goes, mais conhecido como Ernesto Goes, é considerado ser uma das maiores autoridades florestais, não apenas de Portugal, mas de toda a comunidade florestal mundial. Formado pelo ISA – Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, no ano de 1942, ele acabou se convertendo em um dos nomes mais importantes da silvicultura mundial por duas principais razões: a sua dedicação em escrever, entender e publicar sobre os eucaliptos, com uma enorme sequência de livros e artigos sobre essas árvores; e por ter sido o mentor, o principal incentivador e difusor do conceito de plantações florestais de eucaliptos para fins comerciais em Portugal continental, no além-mar e na Ibéria. Graças a isso, muitas árvores naturais de outras espécies acabaram sendo preservadas ao se usarem as madeiras e outras partes de corpo vegetal das árvores de eucaliptos (como as folhas) para a manufatura de produtos tais como bioenergia, celulose, papel, chapas de madeira e óleos essenciais etc. Além disso, Goes estudou e orientou o plantio dos eucaliptos em áreas mais agredidas pelo uso anterior e inadequado da terra. Apesar de ter estudado e testado dezenas de espécies, a escolha natural em Portugal acabou acontecendo para a espécie Eucalyptus globulus, que hoje é admirada por suas virtudes na indústria de celulose e papel e química (cosmética, farmacêutica e de materiais de limpeza). Graças às suas atividades, conhecimentos teóricos e práticos, esforços e capacidade de liderança e convencimento, Ernesto Goes acabou se tornando o maior promotor das plantações de eucaliptos em Portugal. Seus conhecimentos, difundidos através de livros e artigos, principalmente no idioma português, ainda se constituem nas principais referências técnicas sobre os eucaliptos para um enorme contingente de pessoas da sociedade.
Objetivos para criação dessa página na web:
Conheço há algumas décadas as obras do silvicultor Ernesto Goes. Eu acabei acumulando diversas delas em minha biblioteca particular e sempre que necessitava, eu invariavelmente acabava por consultá-las. Principalmente, porque eu sempre tive uma admiração pelo Eucalyptus globulus e as vantagens que ele oferece nos processos tecnológicos e na qualidade das suas polpas celulósicas e papéis.
Ao se ler os livros de Ernesto Goes, percebe-se que ele tinha não apenas um conhecimento técnico sobre como cuidar, plantar e para que utilizar, mas também mantinha um esmerado cuidado em apresentar as diversas espécies de eucaliptos do ponto de vista de morfologia e fisiologia botânica e sistemática. Em um de seus livros, esse publicado em 1985, Ernesto Goes chegou a descortinar as características para identificação de 121 espécies de Eucalyptus, em um tratado cuidadoso e de incrível esmero nas descrições e figuras desenhadas a mão por sua colaboradora Maria da Graça Gambino, compondo exsicatas impressas de grande valor sistemático.
Minha admiração pelo engenheiro Goes tem a mesma dimensão da que eu costumo colocar para o grande silvicultor brasileiro, o engenheiro agrônomo silvicultor Edmundo Navarro de Andrade, considerado o pai da silvicultura no Brasil. Navarro de Andrade, da mesma forma que Ernesto Goes, eles não foram os introdutores dos eucaliptos, nem no Brasil, e nem em Portugal, respectivamente. Mas eles foram inteligentes e talentosos para enxergarem as potencialidades dos eucaliptos para atendimento das necessidades das sociedades em ambos os países. Com isso, estudaram, pesquisaram e colaboraram para que os eucaliptos fossem plantados tanto pelos produtores rurais, entidades governamentais, como pelas empresas de base florestal e até mesmo por pessoas que os admiram e tentam cultivá-los timidamente em seus terrenos ou nos próprios quintais de suas casas.
Em 2009, com a integração de quatro organizações setoriais no Brasil, conseguimos produzir digitalizações das principais obras de Edmundo Navarro de Andrade e coautores e de as disponibilizar para acesso público gratuito nos websites das entidades apoiadoras desse projeto, a saber: ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel; FEENA – Floresta Estadual “Edmundo Navarro de Andrade”; IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Tecnológicos e a Grau Celsius – Negócios em Gestão do Conhecimento (minha empresa de consultoria, já extinta, sendo a disponibilização atualmente nos Websites do Professor Celso Foelkel).
Depois desse feito, um de meus sonhos, na missão de compartilhar importantes conhecimentos setoriais, seria fazer algo similar com as obras de Ernesto Goes. Para isso, já há alguns anos (desde 2010), comecei a conversar sobre esse meu projeto com o engenheiro silvicultor Armando Goes, filho de Ernesto; com a Tecnicelpa – Associação Portuguesa dos Técnicos das Indústrias e Celulose e Papel e com a empresa Portucel, atualmente Grupo Navigator. Finalmente, em outubro de 2025, conseguimos consolidar os objetivos da parceria em minha estada em Portugal para participar da XXVII Conferência Internacional da Tecnicelpa, em Tomar. As decisões fluíram mais facilmente com a clara disposição no sentido de se produzir a digitalização de diversos dos livros e artigos de autoria de Ernesto Goes. Tendo as obras digitalizadas, cada uma das organizadoras envolvidas nesse projeto divulgará da forma como lhes interessar os documentos para que a sociedade mundial possa ter acesso aos feitos, conquistas, desafios e realizações de Ernesto da Silva Reis Goes. Para mim, um sonho realizado, graças à disposição voluntária da Navigator (que foi responsável por editar e publicar diversos dos livros do engenheiro Goes em formato papel e que cuidou da digitalização da maioria das obras), da Tecnicelpa (que me doou alguns materiais para digitalização e inclusão nesse projeto) e do nosso estimado amigo Armando Goes, que me proporcionou informações da vida e obra de seu pai e de sua família. Por essa razão, foi criada uma extensão nesse relato, para se contar algo também do Armando Reis Goes, o filho silvicultor do silvicultor Ernesto Goes. E também, embora brevemente, de outros membros de sua família, que também se dedicaram a seguir estudando e trabalhando junto à área de florestas plantadas.
Nenhum projeto como esse poderia ser finalizado sem um muito obrigado meu de forma nominal aos que colocaram os alicerces e as paredes para sua construção. Fica um agradecimento ao pessoal da Navigator (Sofia Castelão, Carlos Pascoal Neto, Rita Paredes, Filomena Henrique, Paula Monteiro); Tecnicelpa (Dulce Farias, Cesaltina Baptista, Vitor Lucas e Manuel Gil Mata) e em especial ao amigo Armando Goes, que pode assim ver comprovado o apreço que todo o setor dedica à família Goes, onde a silvicultura do eucalipto floresceu, seguindo a genética “de pai para filhos” e “de filhos para netos”.
Vida e Obra de Ernesto da Silva Reis Goes
O silvicultor Ernesto Goes teve uma vida repleta de realizações florestais, em benefício da silvicultura, do eucalipto, da economia, do meio ambiente e das muitas florestas de Portugal. Sua vida familiar também sempre foi intensa, pois, sua família se dedicava a atividades de produção agrícola e florestal. Dessa forma, atuando como uma espécie de consultor, ele colaborou na gestão do patrimônio familiar com sugestões de investimentos florestais e práticas operacionais, inclusive para o plantio de florestas de eucaliptos nas terras de seus parentes mais diretos.
Em função da enorme quantidade de informações colhidas para a preparação desse relato histórico sobre Ernesto Goes, vou tomar a liberdade de dividir o mesmo em três partes, sendo que duas delas estarão interligadas a essa primeira página e os leitores podem ir a cada uma delas e depois retornarem através dos acessos via links diretos.
Parte III: Obras e produções tecnológicas impressas e produzidas por Ernesto Goes (como se segue abaixo)
O engenheiro silvicultor Ernesto Goes costuma ser frequentemente referenciado em muitos artigos, livros e websites do setor de base florestal. Ele é, sem dúvidas, uma das principais celebridades em relação à geração e compartilhamento de conhecimentos sobre os eucaliptos, sobre as árvores e florestas portuguesas e sobre as práticas de silvicultura aplicadas à produção de madeira através de plantações para fins comerciais. Também sempre mostrou uma vertente de preservação e de admiração pelas árvores, não apenas para fins comerciais, mas para apresentá-las por suas belezas morfológicas e pelos papéis ambientais e sociais delas. Foi um dedicado identificador e promotor da preservação das chamadas “árvores monumentais” de Portugal, não apenas as de eucaliptos, mas de muitas espécies nativas e exóticas crescendo em Portugal e na Europa. Atribui-se a ele, inclusive, o fato de ter conseguido provar e documentar que a árvore provavelmente mais alta da Europa era, por volta dos anos 1960’s, um Eucalyptus diversicolor com cerca de 70 metros de altura situada na Mata Nacional de Vale de Canas, concelho de Coimbra, tendo sido plantada provavelmente por volta de 1875.
Dentre seus atributos principais, estava não apenas o gosto pelas ciências e tecnologias florestais, mas sua enorme paixão pelas árvores. Talvez por essas e outras razões que ele escreveu tanto sobre elas. Inclusive, um de seus livros publicados homenageia os “dragoeiros” dos Açores (espécie Dracaena draco), um tipo de planta em formato de árvore, que lembra um guarda-chuva, e que tem de enorme beleza estética.
Disponibilização em formato digital de dezessete das principais produções técnicas do engenheiro Ernesto Goes:

Essa seção, e mesmo todo esse conjunto de páginas de web, só estão existindo graças à parceria que foi criada de forma voluntária e sem intenções comerciais. Cada um dos parceiros procurou oferecer suas contribuições voluntárias para a construção de locais de acesso público gratuito na web para se permitir conhecer mais sobre o engenheiro Ernesto Goes e se poder assim acessar algumas das suas principais obras recuperadas através de sua conversão a documentos digitais. Contando para isso com o apoio de sua família, liderada para essa finalidade pelo filho Armando Reis Goes. A parceria entre o professor Celso Foelkel, a Navigator e a Tecnicelpa acabou por criar mecanismos para que as obras fossem tornadas públicas, inicialmente nesse website do professor Celso.
Grande parte dos livros aqui apresentados foram impressos e produzidos graficamente pela Portucel (antecessora da Navigator). Outras obras, são muito antigas, produzidas na década dos anos 1950’s e 1960’s. Logo, todas são passíveis de serem disponibilizadas livremente para que a sociedade as possa conhecer e aprender com elas.
Seguem as obras resgatadas para distribuição digital, em ordem crescente da época de lançamento de cada uma. Para se abrir e descarregar o arquivo, basta se clicar no endereço de web após cada título e caracterização da publicação em questão:
Artigo técnico: Estudo sobre eucaliptos. Sua aplicação no sul do país. Ernesto da Silva Reis Goes. Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. Publicação XVII. Tomo 2: 259 – 327. (1951)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1951_Goes-Estudo-Eucaliptos-259-327.pdf (em Português)
Artigo técnico: Establishment, management and protection. Nursery and planting techniques. Ernesto da Silva Reis Goes. First World Eucalyptus Conference. FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. p.: 116 – 118. (1956)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/20_Management+Nursery+Planting.pdf (em Inglês)
Livro: Viveiros e plantações de eucaliptos. Ernesto da Silva Reis Goes. Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. Estudos e Divulgação Técnica. 62 pp. (1957)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1957_Goes-Viveiros-Plantazoes-Eucaliptos.pdf (em Português)
Livro: Os eucaliptos em Portugal. Volume I: Identificação e monografia de 90 espécies. Ernesto Goes. Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. 301 pp. (1960)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1960_Goes-Eucaliptos-em-Portugal.pdf (em Português)
Artigo técnico: Consociação de eucaliptos em plantações. Ernesto Goes. II Conferência Mundial do Eucalipto. FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. p.: 684 – 686. (1961)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/58_Consorciacao+Eucaliptos.pdf (em Português)
Livro: Os eucaliptos (Ecologia, cultura, produções, rentabilidade). Ernesto Goes. Portucel. Centro de Produção Florestal. 366 pp. (1962)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1962_Goes-Os-Eucaliptos-Cultura-Rentabilidade.pdf (em Português)
Folheto: O eucaliptal. Ernesto Goes. Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas. 13 pp. (1967)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1967_O+Eucaliptal.pdf (em Português)
Livro: Cultura do eucalipto como espécie industrial. Ano de 1967. Ernesto Goes; Manuel P. Ferreirinha; António Gravato; António E. Carneiro. 51 pp. (1967)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1967_Goes-Cultura-Eucalipto-Especie-Industrial.pdf (em Português)
Livro: Áreas e produções de eucaliptal no sul do Tejo. Ernesto Goes. Socel – Sociedade Industrial de Celulose. Gabinete Técnico Florestal. 35 pp. (1968)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1968_Goes-Areas-Produzoes-Eucaliptais-Sul-Tejo.pdf (em Português)
Folheto: Arboreto de eucaliptos na Quinta de São Francisco, em Eixo. Ernesto Goes. Centro de Produção Fabril Cacia. Portucel. (1976)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1976_Goes-Arboreto-Eucaliptos-Eixo.pdf (em Português)
Artigo: A celulose de Cacia e a riqueza florestal que a rodeia. Ernesto Goes. Revista digital Cacia 25 anos. (1978)
http://ww3.aeje.pt/avcultur/AvCultur/Celu25Anos/Page055.htm (em Português)
Livro: Os eucaliptos gigantes de Portugal. Ernesto Goes. Portucel. Centro de Produção Florestal. 167 pp. (1979)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1979_Goes-Eucaliptos-Gigantes-Portugal.pdf (em Português)
Livro: Árvores monumentais de Portugal. Ernesto Goes. Portucel. 151 pp. (1984)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1984_Goes-Arvores-Monumentais-Portugal.pdf (em Português)
Livro: Os eucaliptos. Identificação e monografia de 121 espécies existentes em Portugal. Ernesto Goes. Portucel. 372 pp. (1985)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1985_Goes_121-Especies-Eucaliptos.pdf (em Português)
Livro: Novos aproveitamentos em antigos eucaliptais. Ernesto Goes. Gráfica Sociedade Astória. 37 pp. (1989)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1989_Goes-Novos-Aproveitamentos-Antigos-Eucaliptais.pdf (em Português)
Livro: A floresta portuguesa. Sua importância e descrição das espécies de maior interesse. Ernesto Goes. Portucel. AP Imagem & Comunicação. 262 pp. (1991)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1991_Goes-Floresta-Portuguesa.pdf (em Português)
Livro: Dragoeiros dos Açores. Ernesto Goes. Editora Ribeira Chã. 95 pp. (1994)
https://www.eucalyptus.com.br/artigos/1994_Goes_Dragoeiros-Azores.pdf (em Português)
Bibliografia singela sobre os eucaliptos em Portugal. Materiais técnicos gerados em épocas durante e após - Ernesto Goes. Nos quais sempre se encontram referências a ele, suas obras e suas atividades florestais.
Produção do Professor Celso Foelkel com a finalidade de providenciar algumas espiadelas de relance sobre a evolução dos eucaliptos em Portugal após as obras lançadas pelo nosso homenageado “in memoriam” Ernesto Goes. 12 pp. Website Professor Celso Foelkel. (2025)
Disponível em:
https://eucalyptus.com.br/artigos/2025_Singela-Bibliografia-Eucaliptos-Portugal.pdf (em Português)
Essa possibilidade de acesso público e gratuito às obras de Ernesto Goes só se tornou possível graças à parceria entre:
NAVIGATOR
E à colaboração voluntária de um de seus filhos, o engenheiro silvicultor Armando Reis Goes
